Provisões Para Perdas têm se tornado um tema central entre os grandes bancos brasileiros no segundo trimestre de 2026. Este artigo irá explorar como as instituições financeiras enfrentam um cenário crescente de inadimplência, refletindo sobre os impactos do endividamento das famílias e as pressões econômicas atuais.
Observaremos a evolução das provisões para perdas com crédito, a performance dos lucros e a situação do banco público, que apresenta desafios adicionais devido à sua exposição a setores essenciais, como o agronegócio.
Vamos analisar os números e as expectativas para os próximos trimestres, diante de um panorama econômico desafiador.
Aumento das provisões para perdas com crédito no 2º trimestre de 2026
Os grandes bancos brasileiros reforçaram as provisões para perdas com crédito no 2º trimestre de 2026, em linha com a piora da inadimplência e com o ambiente de juros ainda elevados.
O destaque ficou com o banco de maior porte em provisões, que elevou a despesa em 16,4%, seguido por uma alta de 23,5% em outra instituição.
Já outros dois bancos ampliaram o provisionamento em 8,2% e 11,8%, mostrando uma resposta coordenada ao aumento do risco de calote.
Fonte: Banco Central e balanços corporativos divulgados no 2º trimestre de 2026
O movimento refletiu o avanço da inadimplência acima de 90 dias, que atingiu 4,9% em julho, maior nível desde 2011, enquanto o endividamento das famílias chegou a 82%, recorde desde 2015. Nesse cenário, a Selic em 14% ao ano tende a manter a pressão sobre margens, lucro e oferta de crédito nos próximos trimestres.
Evolução da inadimplência acima de 90 dias e provisões por banco
No segundo trimestre de 2026, observou-se um aumento significativo nas provisões para perdas com crédito entre os grandes bancos brasileiros, refletindo a crescente inadimplência acima de 90 dias.
O banco com maior valor de provisões teve um crescimento de 16,4%, enquanto outro banco se destacou com um aumento percentual de 23,5%.
Além disso, algumas instituições ampliaram seus provisionamentos em 8,2% e 11,8%, evidenciando a pressão financeira enfrentada pelas instituições na atual conjuntura econômica.
Banco com maior valor absoluto de PDD
O Banco do Brasil registrou o maior valor absoluto de PDD entre os grandes bancos no 2º trimestre de 2026 e ampliou suas provisões em 16,4%, refletindo uma postura mais conservadora diante do avanço da inadimplência no sistema.
Além disso, o banco público sente mais pressão porque atua em setores sensíveis da economia, como o agronegócio, que pode sofrer com juros elevados e maior aperto financeiro das famílias.
Assim, a instituição reforçou a proteção do balanço para absorver perdas futuras, em um cenário de Selic a 14% ao ano e endividamento recorde.
Esse ambiente tende a manter o risco de crédito em alta nos próximos trimestres.
Banco com maior aumento percentual de provisões
O banco que registrou o maior salto percentual nas provisões foi o Banco do Brasil, com alta de 23,5% no 2º trimestre de 2026. Esse avanço reflete a piora do risco de crédito e a necessidade de reforçar a proteção contra calotes, sobretudo porque a inadimplência acima de 90 dias também subiu.
Além disso, a pressão é maior em áreas sensíveis da economia, como o agronegócio, onde a renda ficou mais apertada com juros elevados e endividamento das famílias em alta.
Assim, o aumento da PDD mostra postura mais defensiva para preservar resultados futuros.
Bancos com ampliações moderadas de 8,2% e 11,8%
Itaú e Santander também ajustaram suas provisões para perdas com crédito no 2º trimestre de 2026, refletindo uma postura mais cautelosa diante do avanço da inadimplência.
O Itaú ampliou o provisionamento em 8,2%, enquanto o Santander elevou em 11,8%, reforçando a proteção contra atrasos e calotes em suas carteiras.
No período, o Itaú manteve uma carteira de crédito robusta e diversificada, e o Santander seguiu com forte exposição ao varejo e ao crédito ampliado, áreas mais sensíveis à pressão dos juros e do endividamento das famílias.
Contexto macroeconômico: inadimplência histórica, endividamento e Selic a 14%
A inadimplência de 4,9% em jul/26 mostra que o crédito ficou mais pesado para famílias e empresas, e isso força os bancos a elevar a PDD para proteger o balanço.
Como o endividamento das famílias atingiu 82%, a capacidade de pagamento enfraqueceu, o que aumenta a pressão sobre cartões, consignado e varejo.
Além disso, a Selic em 14% ao ano encarece o refinanciamento e sustenta juros altos por mais tempo, o que eleva o risco de atraso e reduz a demanda por novas operações.
Fonte: indicadores recentes de crédito e endividamento no Brasil em 2026
Os grandes bancos já reagiram com provisões maiores no 2º trimestre de 2026, porque a inadimplência acima de 90 dias subiu na maioria das instituições.
O banco público sente mais a piora, já que sua carteira é exposta ao agronegócio e a setores sensíveis ao ciclo econômico, enquanto a pressão sobre margens e lucro tende a continuar nos próximos trimestres.
| Ano | Inadimplência | Endividamento |
|---|---|---|
| 2025 | Base inferior | Menor que 82% |
| Jul/2026 | 4,9% | 82% |
| Próximos meses | Alta pressão | Alta persistente |
Resultado: provisões maiores, lucro pressionado e seletividade mais rígida na concessão de crédito.
Impacto nos resultados financeiros dos bancos
O aumento das provisões para perdas com crédito e a escalada da inadimplência no 2º trimestre de 2026 impactaram significativamente os resultados financeiros dos bancos brasileiros.
A inadimplência atingiu 4,9%, o maior nível desde 2011, obrigando a maioria das instituições a elevar suas provisões e, consequentemente, afetando seus lucros.
Enquanto alguns bancos conseguiram registrar crescimento no lucro, outros enfrentaram quedas expressivas, refletindo a pressão exercida pelo aumento do endividamento das famílias e pela manutenção da taxa Selic elevada.
Pressão adicional sobre o banco público exposto ao agronegócio
A queda de 50% no lucro do banco público no 2º trimestre de 2026 revela a combinação de inadimplência mais alta e maior exposição ao agronegócio.
Como a instituição financia cadeias essenciais, o avanço dos calotes no campo pressiona provisões e corrói resultado.
Além disso, a Selic em 14% ao ano encarece o crédito e reduz a capacidade de pagamento de produtores e famílias.
Isso torna o banco mais sensível à deterioração econômica, sobretudo em linhas ligadas a setores estratégicos.
Enquanto isso, a inadimplência acima de 90 dias segue elevando o custo de risco e exigindo cautela adicional na carteira.
Provisões Para Perdas estão em alta, refletindo as dificuldades que os bancos enfrentam com a inadimplência e o endividamento crescente das famílias.
O futuro próximo parece desafiador, especialmente para o banco público, que deve lidar com suas particularidades no cenário econômico atual.